Programa tem sensibilizado a população quanto a importância de combater a proliferação de espécies invasoras.*Por Rafael D. Zenni (Assistente Científico do Prog. das Espécies Exóticas Invasoras para a América do Sul) O Parque Tanguá, em Curitiba, foi cenário do primeiro evento de substituição de plantas exóticas invasoras por plantas nativas em parques urbanos. Este evento, promovido pela Prefeitura Municipal de
Esse trabalho foi desenvolvido no espírito de dois projetos complementares, um da TNC, chamado Código de Conduta Voluntário para Plantas Ornamentais, e outro da Prefeitura, chamado Biocidade. O primeiro visa reunir pessoas e instituições locais dispostas a promover o uso de plantas nativas e exóticas não invasoras em paisagismo e jardinagem, enquanto o segundo visa encontrar e fomentar espécies nativas para produção comercial e uso pela prefeitura na arborização viária, parques e praças. Acreditamos que a principal mensagem deste trabalho é mostrar que toda a população, urbana e rural, pode contribuir de alguma forma com a conservação da natureza, e que não utilizar e não promover espécies exóticas invasoras já é um grande passo! Inicialmente, nossa proposta era sensibilizar a populção com a remoção das plantas exóticas e, assim, esclarecer as razões através do nosso material educativo. Planejávamos também contar com a impressa para conseguirmos uma divulgação mais ampla. A Secretaria Municipal do Meio Ambiente de Curitiba gostou da oferta e resolveu ir além: eles removerão as plantas exóticas invasoras de todos os parques da cidade substituindo-as por plantas de espécies nativas, incluindo ipês, aroeira, araçá, pitangueiras, araucárias, cedros e muitas outras. Aproveitando a semana do meio ambiente para iniciar esta atividade, o Parque Tanguá foi escolhido por já possuir plano de manejo e por ter diversas plantas exóticas invasoras em sua área. Estas plantas exóticas - e poderíamos considerar o mesmo para todas as espécies invasoras - possuem a capacidade de se estabelecer e proliferar no ambiente onde são introduzidas causando impactos à biodiversidade, economia, cultura, incluindo à saúde humana. Esses impactos podem variar desde a ocupação do espaço e nicho de espécies nativas, até a quebra de cadeias ecológicas, correndo o risco de extinguir as espécies nativas. Com este trabalho, nós conseguimos atingir diversos objetivos fundamentais para enfrentar a ameaça das espécies exóticas invasoras: removeremos as plantas indesejadas dos parques, e desta forma diminuiremos a fonte de sementes disponíveis para o aumento do problema mostrando à população quais plantas não devem ser cultivadas; temos plantado espécies nativas e com isso ilustrado quais espécies devem ser preferidas para ornamentação e jardinagem, e também ajudando na conservação da biodiversidade pelo aumento da disponibilidade de pólen e sementes de espécies locais. Para nós, este trabalho será um exemplo positivo que poderá ser replicado por outras prefeituras em qualquer lugar do Brasil. A reação da imprensa e do público foi positiva e o trabalho foi destaque do principal jornal da cidade, incluindo matérias nos importantes noticiários do estado (TV Globo e Band). O público que compareceu ao parque, inicialmente se mostrou surpreso com a iniciativa, mas ao explicarmos as razões e objetivos, eles passaram a aprovar a atividade e alguns até se comprometeram a fazer a troca das plantas invasoras por nativas em seus jardins. Com certeza é um trabalho gradativo, que exige muita dedicação e paciência, mas que sem dúvidas resultará em bons frutos no futuro.
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